IABAS é investigada pelo Tribunal de Contas e pela Controladoria de SP e pelo MP do Rio por problemas em contratos. Pacientes e funcionários reclamam de falta de exames e estrutura em novo hospital de campanha administrado pela ONG, que nega irregularidades

O Hospital de Campanha montado no centro de exposições no Anhembi, na Zona Norte de São Paulo, onde já ocorreram 20 mortes de pacientes por Covid-19, é administrado por uma organização da sociedade civil investigada por irregularidades em outros contratos de administração de hospitais em São Paulo, tanto pelo Tribunal de Contas do Município e pela Controladoria da Prefeitura. A ONG também é suspeita de superfaturamento em contratos nas áreas de saúde no Rio de Janeiro.
A unidade é administrada por duas organizações sociais: a SPDM, Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina e o IABAS, que é o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde.
O IABAS é investigado em dois processos no Tribunal de Contas da capital paulista, que correm simultaneamente e apuram supostas irregularidades em contratos entre o instituto e a prefeitura de São Paulo.Segundo o TCM, os processos estão em fase final de apuração.
Desde que o hospital de campanha no Anhembi foi implantado, pacientes e familiares denunciaram problemas no hospital, como falta de medicamentos, cobertores, exames e até itens de proteção individual.
Familiares de parentes denunciam também descaso e falta de informação sobre o paradeiro dos doentes e transferências realizadas. Maurício de Souza demorou 4 dias para descobrir que o pai estava internado no Anhembi.
“Difícil, hein. Complicado. A gente liga e não tem notícia, fala que assistente social vai entrar em contato e nada. Faz 4 dias já, só hoje que conseguimos entrar em contato. Parece indigente, complicado”, disse Maurício.
O teto do pavilhão do Anhembi, onde foi montada a estrutura pra receber os pacientes da Covid-19, homens trabalhando na estrutura, que também apresenta problemas e teve um pedido emergencial de uma verba de R$ 1,2 milhão para emendas emergenciais.
Em 2017, a TV Globo mostrou os problemas enfrentados por pacientes em algumas UPAs e AMAS da cidade de São Paulo administradas pelo IABAS. A denúncia era de falta de materiais básicos e falta de manutenção nas unidades.
Investigações em SP e RJ
A Prefeitura também apura a suspeita de irregularidades em contratos de 2017. Depois de uma sindicância nos contratos, a Controladoria-Geral do município instaurou um processo administrativo de responsabilidade em outubro de 2019. Como o processo ainda está em andamento, a prefeitura disse que não há nenhum impedimento legal para a contratação do IABAS.
A organização diz que ainda não foi notificada sobre a investigação da Controladoria paulistana e que irá comprovar que a denúncia não é verdadeira.
O contrato para administração do hospital de campanha do Anhembi não está em investigação.
O IABAS também está sendo investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro sob suspeita de envolvimento com um grupo que é investigado por irregularidades em contratos para a administração de 1.400 leitos em 7 hospitais de campanha no estado. O valor dos contratos soma mais de R$ 800 milhões.
O Fantástico, da Rede Globo, divulgou gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal, com autorização da justiça, que levantam a suspeita de superfaturamento de equipamentos de saúde comprados sem licitação no Rio. Em uma das gravações, um dos investigados, o empresário Luiz Roberto Martins Soares confirma o envolvimento do IABAS nos contratos.
Anhembi
Nas últimas semanas, pacientes e funcionários reclamaram de problemas de falta de estrutura e até equipamentos no Anhembi. O IABAS nega e mandou vídeos de dentro do hospital, afirmando que os pacientes estão sendo bem atendidos e que não faltam materiais.
Fonte: www.g1.globo.com
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