Na minha opinião, os sebos – aqueles espaços cada vez mais raros de venda de livros usados – estão com toda certeza entre os lugares mais atrativos de uma cidade, seja ela qual for.
Sempre que viajo, realizo uma pesquisa sobre os principais sebos do meu destino e faço questão de incluir no meu roteiro uma visita demorada a pelo menos um destes locais.
Em Uberlândia, cidade onde moro, sou assíduo frequentador dos sebos. Compro e troco livros, acompanho as novidades e garimpo aqueles exemplares raros que aparecem de vez em quando.
O interessante em comprar num sebo é que, por mais que o exemplar seja comum, ele vem acompanhado de histórias, às vezes até inusitadas. Foi o que aconteceu na minha visita mais recente.
Após um bom tempo percorrendo os olhos pelas estantes de literatura brasileira, já havia selecionado oito livros e então me deparei com “Esta história está diferente: Dez contos para canções de Chico Buarque” (Companhia das Letras), obra organizada por Ronaldo Bressane com narrativas escritas por grandes nomes da literatura contemporânea, como Mia Couto, Xico Sá, Alan Pauls, Carola Saavedra e João Gilberto Noll.
Fácil de ser encontrado
É um livro fácil de ser encontrado em livrarias e sebos, mas como desejava comprá-lo há algum tempo, incluí na minha pilha de livros, passei no caixa e fui para casa.
Na sala, como de costume, parei para analisar os livros recém-adquiridos com mais calma e atenção, foi quando me deparei com um autógrafo no exemplar de “Esta história está diferente”.
O que me chamou a atenção é que não era uma assinatura de nenhum dos envolvidos no livro, como o organizador, os escritores ou até mesmo (quem me dera!), o próprio Chico Buarque, mas sim do Cafu. Sim, o capitão da seleção brasileira na conquista do penta, em 2002, o lateral direito Cafu.
Aquilo era, no mínimo, inesperado. Vieram muitas perguntas à mente, mas, felizmente, na página seguinte estava um pequeno texto que explicava como aquele autógrafo tinha ido parar no livro.
Presença de Cafu
Aparentemente, o antigo dono participou de um evento de divulgação da Copa do Mundo de 2014, realizado em Brasília em 2013, com presença de Cafu e outros grandes nomes do futebol brasileiro.
Ao fim da atividade, o homem em questão pediu um autógrafo para Cafu, mas como o único papel ele que tinha no momento era o exemplar do livro, foi ali mesmo que Cafu deixou sua lembrança.
E agora, 12 anos depois, essa história no mínimo curiosa chega até mim, graças às muitas possibilidades escondidas nas estantes dos sebos.
Bruno da Silva Inácio é jornalista, mestre em Comunicação e pós-graduado em Literatura Contemporânea, Política e Sociedade e Cultura e Literatura. Atualmente cursa quatro especializações (Cinema, Teoria Psicanalítica, Antropologia e Gestão da Comunicação) e reside em Uberlândia, onde trabalha como assessor de imprensa da Prefeitura.
É autor dos livros “Gula, Ira e Todo o Resto” e “Devaneios e alucinações”, participante de outras quinze obras literárias e colaborador da Tribuna de Ituverava e dos sites Obvious, Provocações Filosóficas e Tenho Mais Discos que Amigos.
Também manteve, entre 2015 e 2019, a página “O mundo na minha xícara de café”, que chegou a contar com 250 mil seguidores no Facebook.
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