Janeiro Roxo alerta população sobre importância do combate à hanseníase

A hanseníase se manifesta na pele em forma de manchas esbranquiçadas, amarronzadas e acastanhadas

O Brasil segue como um dos três países que mais concentram casos novos da doença, ao lado da Índia e da Indonésia

O mês de janeiro é voltado à conscientização e combate à uma doença que ainda enfrenta desafios como o preconceito e o diagnóstico tardio, a hanseníase, antigamente conhecida como lepra.
Neste contexto, a Campanha do Janeiro Roxo promovida pelo Ministério da Saúde busca informar à população sobre os sinais e sintomas da doença, a importância do tratamento precoce e o papel da saúde pública na erradicação dessa enfermidade.
O Dia Mundial da Hanseníase é celebrado anualmente no último domingo de janeiro, exatamente no dia 25.

A doença
A hanseníase é uma doença infecciosa e contagiosa que afeta a pele e os nervos da pessoa e, caso não seja corretamente tratada, pode causar graves sequelas.
Por se tratar de uma bactéria, as formas de contaminação se assemelham às demais doenças, sendo a principal delas a transmissão por meio de gotículas respiratórias de uma pessoa doente sem tratamento e o contato prolongado próximo.
Vale ressaltar que apenas o contato físico, como apertos de mão e abraços, não transmite a doença já que muitos indivíduos possuem imunidade natural à hanseníase, fator que reduz o risco de adoecimento.

Hanseníase no Brasil e no mundo
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, no dia 12 de setembro de 2025, os dados mais recentes sobre a hanseníase no mundo, referentes ao ano de 2024.
O Brasil segue como um dos três países que mais concentram casos novos da doença, ao lado da Índia e da Indonésia, responsáveis juntos por quase 80% das notificações globais.
No total, o Brasil registrou 22.129 novos casos em 2024, uma queda de 2,8% em relação a 2023 (22.773 casos).
Apesar da redução, o país permanece como o segundo com maior número absoluto de notificações, atrás apenas da Índia, que somou 100.957 novos casos.
Esses números reforçam que, embora haja avanços, a hanseníase ainda representa um desafio de saúde pública no território brasileiro.
Globalmente, foram identificados 172.717 novos casos em 2024, uma diminuição de 5,5% em comparação ao ano anterior. Esse dado confirma a tendência de queda observada na última década, com uma redução de quase 20% desde 2015.

Incapacidades e crianças: sinais de alerta
O relatório da OMS mostra que a transmissão ativa da hanseníase ainda persiste. Em 2024, foram notificados 9.397 casos novos em crianças menores de 15 anos, sendo 5,4% do total mundial.
O Brasil registrou 921 novos casos infantis, um indicador de que a doença segue atingindo populações jovens e de que há falhas na interrupção da cadeia de transmissão.
Outro dado preocupante é o número de casos detectados já com grau 2 de incapacidade (G2D), que indica diagnóstico tardio.
O Brasil notificou 2.236 novos casos com incapacidade grave em 2024, o que representa mais de 10% do total de novos registros no país. Globalmente, esse percentual foi de 5,3%.

Desafios para o Brasil
Embora o Brasil tenha apresentado redução no número total de novos casos, os índices de transmissão entre crianças e de incapacidades evidenciam a necessidade de ampliar estratégias de diagnóstico precoce, acesso ao tratamento e políticas de reabilitação.
A hanseníase multibacilar, a forma mais transmissível da doença, representou quase 70% dos novos casos mundiais, e no Brasil, mais de 80%.
Além disso, o país enfrenta o desafio de combater o estigma social e as barreiras que dificultam a adesão ao tratamento.
Em 2024, foram registrados mais de 4 mil casos de retratamento e 1.602 de recidiva apenas no Brasil, o que evidencia falhas na conclusão terapêutica e na vigilância pós-alta.

Detecção precoce
O diagnóstico é clínico, feito por médico ou equipe multidisciplinar, e, caso o exame confirme a presença da doença, é importante que as pessoas próximas também sejam avaliadas.
O tratamento da hanseníase é gratuito no SUS e consiste no uso da Poliquimioterapia (PQT) (é um tratamento médico que envolve o uso de uma combinação de vários medicamentos diferentes para tratar uma única doença, em vez de um único medicamento), que deve ser seguido rigorosamente para evitar complicações e sequelas.
O apoio e a orientação para os pacientes, além do acompanhamento contínuo, são essenciais para garantir a cura e prevenir a transmissão.
Em caso de sinais ou sintomas, a recomendação é procurar a unidade de saúde mais próxima para realização de exames e início do tratamento.

Principais sintomas da hanseníase

Em caso de contaminação, a pessoa poderá apresentar manchas claras, avermelhadas ou escuras na pele, com alteração ou perda de sensibilidade (térmica, tátil e dolorosa).
Fazem parte do quadro da doença o surgimento de áreas da pele sem pelos ou com diminuição de suor; formigamento ou dormência em extremidades (mãos e pés).
Também pode haver diminuição da força muscular, levando às deformidades e lesões em nervos periféricos (conectados à cabeça), ou seja, a face, os olhos, o nariz, os músculos e os ouvidos ao cérebro (nervos cranianos).
Com a evolução da doença essas extremidades podem sofrer engrossamento.

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