Edição – 3284 Rótulos poderão ter alerta sobre sódio, açúcar e gordura

Embalagens de produtos terão símbolo nos moldes de “alerta”, que indica alto teores de açúcares adicionados, gordura saturada e sódio

Inclusão da advertência é uma das recomendações de relatório preliminar da equipe técnica da Anvisa 

Na hora de fazer compras no supermercado e escolher qual alimento levar, poderá fazer diferença se na embalagem do produto vier com um símbolo nos moldes de “alerta”, que indica alto teores de açúcares adicionados, gordura saturada e sódio.
A inclusão desse tipo de advertência é uma das recomendações de um relatório preliminar elaborado pela equipe técnica da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que avalia mudanças nas regras de rotulagem dos alimentos.
Elaborado após revisão de estudos nacionais e internacionais e da análise de modelos sugeridos à agência e adotados em outros países, o texto dá força a propostas que incluem símbolos e mensagens de alerta para a alta quantidade de substâncias críticas se consumidas em excesso.
Segundo o relatório, a melhor opção é adotar, na frente da embalagem, o chamado modelo semi-interpretativo, em que o consumidor pode ser informado sobre a composição do alimento, mas ao mesmo tempo manter a autonomia de decidir se quer comprá-lo ou não.
Esse tipo de rotulagem, segundo a agência, tem tido melhor avaliação de custo-benefício em outros países. É o exemplo dos alertas gráficos, que usam frases sobre o “alto teor”, e dos “semáforos nutricionais”, que mesclam dados com as cores verde, amarela e vermelha.
Base de estudos
Na análise dos técnicos da agência com base em estudos que avaliaram itens como compreensão e leitura, porém, o primeiro modelo sai na frente.
Hoje, esse tipo de advertência no rótulo de alimentos industrializados já é adotado ou é alvo de análise em alguns países, como Canadá, Israel e Chile.
No Brasil, propostas similares também foram sugeridas à Anvisa por algumas entidades, caso do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Opas (Organização Panamericana de Saúde) e Caisan (Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional).
O objetivo é ajudar o consumidor a ter informações mais claras sobre o que está presente em cada alimento e, assim, escolher produtos mais saudáveis.

Formato mais apropriado

Apesar de recomendar a adoção desse modelo, o documento frisa, porém, que as evidências disponíveis ainda “não permitem concluir sobre o formato mais apropriado para facilitar o uso da informação pelo consumidor brasileiro”.
Alguns tipos de design, no entanto, são apresentados no documento como opções a serem analisadas. Entre elas, estão octógonos, triângulos, círculos e retângulos com lupa —todos com avisos da alta quantidade das substâncias.
O relatório, porém, não descarta avaliação sobre outros modelos sugeridos à Anvisa, caso do “semáforo”, que tem apoio da indústria, ou do NutriScore, tipo de escala feita com cores e letras, apoiada pela Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).
Mas afirma que, em primeira análise, o modelo “semi-interpretativo de alertas” tem maior recomendação.

Anvisa quer aviso sobre  açúcares “livres” e “totais” 

Além de sugerir a inclusão de um sinal de alerta nas embalagens, o texto da Anvisa traz outras recomendações para mudança dos rótulos.
Uma delas é a declaração obrigatória dos açúcares “livres” e “totais” na lista de nutrientes da tabela nutricional, quadrinho com dados que fica na parte de trás do rótulo.
O primeiro indica o açúcar que é adicionado pela indústria durante a produção dos alimentos. Já o segundo indica o total de carboidrato presente no alimento, somado ao açúcar adicionado, como explica a nutricionista Maria Cristina Bignard, do Conselho Regional de Nutrição de SP e MS.
Atualmente, esses nutrientes não são declarados. “E aí não dá para saber qual açúcar a indústria acrescentou e qual é natural do próprio alimento”, afirma. O consumo excessivo de açúcares adicionados, no entanto, é fator de risco para ganho de peso.
A sugestão adotada pela equipe técnica, assim, é que esses ingredientes passem a ocupar o espaço das chamadas “gorduras trans”, tipo de gordura alvo de um processo de análise na agência para sofrer maior restrição ou até mesmo ser banida.

Proposta

A tabela nutricional, aliás, também deve ficar mais clara. Em vez da quantidade calculada por porção, o relatório recomenda que passe a ser adotado o padrão de 100g ou 100 ml como base para todos os nutrientes.
A proposta atende a um apelo de especialistas e resultados de análise de um grupo de trabalho da agência, para quem as medidas hoje comumente adotadas —como “três bolachas”, “¼ de colher”, entre outras— não correspondem ao perfil de consumo da população e geram confusão.
O relatório sugere ainda alterar os parâmetros hoje adotados para declaração das chamadas “alegações nutricionais” ou até mesmo retirar a permissão da presença desse tipo de mensagem (caso daquele “0% gordura” ou “baixo teor” que aparece na embalagem do biscoitinho fit).

Medida visa diminuir atual  índice de obesidade no país  

O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, anunciou a medida em Genebra, durante plenária da 71ª Assembleia Mundial da Saúde (AMS). Na ocasião, ele citou que o Brasil vai adotar o alerta para altos teores de açúcar como tentativa de diminuir o crescimento de altos índices de obesidade.
Segundo o ministro, a meta é concluir até julho tanto os novos rótulos quanto a questão da redução de açúcar nos produtos. O ministro diz que busca diálogo e resolver “sem imposição” as mudanças, e que associações de empresários do setor não estão recebendo bem essas iniciativas para reduzir a obesidade no Brasil.
“O limite negociado é a redução do açúcar sem o gosto do produto ficar descaracterizado. Queremos ter com o açúcar o mesmo diálogo e um entendimento igual ao que tivemos com o sódio. Estamos muito perto de encontrarmos uma solução boa para todos”, disse o ministro Gilberto Occhi
Obesidade e risco
Dados de 2017 da pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) apontam que o excesso de peso atingiu 54% da população nas capitais do país e 18,9% dos brasileiros estão obesos.
Em Genebra, o ministro citou outras ações que visam não só o alerta, mas a diminuição desses compostos no alimento. Entre as iniciativas em discussão, está o Plano Nacional de Redução do Açúcar em Alimentos Industrializados.
Segundo a pasta, o modelo é similar ao adotado com a indústria para redução de sódio: foram retiradas 17 mil toneladas entre 2008 e 2016.

Como será feito o cálculo para o alto teor

A cada 100 ml ou a cada 100g, a Anvisa adotou, nesse primeiro momento, os seguintes limites para cada composto: Açúcar: 10g para sólidos e 5g para líquidos; Gordura saturada: 4g para sólidos e 2g para líquidos; Sódio: 400 mg para sólidos e 200g para líquidos.
Passados esses limites, a empresa deverá colocar o alerta quando a norma entrar em vigor. A Anvisa ressalta que o documento é resultado de uma ampla análise científica em que foram levados em conta 28 estudos realizados entre 2015 e 2018.
Enquete
Para saber o que a população pensa a respeito dos rótulos com avisos sobre gordura, sódio e açúcar, a Tribuna de Ituverava foi às ruas nesta semana. Confira:  

Na hora de fazer compras no supermercado e escolher qual alimento levar, poderá fazer diferença se tiver um
símbolo nos moldes de “alerta” no rótulo, que indica alto teor de açúcar adicionado, gordura saturada e sódio.
Você costuma ler nos rótulos de produtos alimentícios a composição do alimento que está comprando? Por quê?

 

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