
A expectativa para a safra em 2018 é bastante positiva em diversas regiões do país, inclusive na região de Ituverava.
A Secretaria de Agricultura, através do Escritório de Desenvolvimento Rural de Orlândia, divulgou o Levantamento Subjetivo de Previsão da Safra 2017/2018, elaborado pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) de Orlândia e pelo Instituto de Economia Agrícola – IEA.
De acordo com o levantamento, a cana-de-açúcar continua liderando em área plantada, com plantio estimado de 423.117 hectares (cerca de 174.842 alqueires), com cana em produção (cana corte) e em área nova (cana planta).
Para falar sobre a safra e sobre o impacto do clima nela, o agricultor Kenjiro Mine escreveu um artigo e enviou à Tribuna de Ituverava, que o reproduz na íntegra abaixo:
O que podemos esperar da próxima safra de verão?
Raciocinar no passado é muito fácil e todos sabemos que a última safra de verão do país superou os 230 milhões de toneladas. E na nossa região, não foi diferente.
Creio que seja de conhecimento dos produtores da região de Ituverava que o município conta com duas estações meteorológicas automáticas instaladas no Campus da Fafram. Além deste registro, o SAAE – Serviço Autônomo de Águas e Esgotos mantém um registro manual diário de precipitação que faz parte dos arquivos do DAEE – Departamento de Água e Energia Elétrica do Estado de São Paulo, arquivo este que contém registros desde janeiro/1943.
E com base nestes registros que os gráficos abaixo foram montados.
As duas curvas retratam a precipitação acumulada desde o início da primavera no dia
21/setembro e termina no dia 20/setembro do ano seguinte, no último dia do inverno:
1. Linha contínua – o que aconteceu em 2017;
2. Linha tracejada – a média de 10 anos anteriores (2007/2016);
Os produtores mais tradicionais já se habituaram com o “retardo” do início da estação das chuvas – há 30 anos, as chuvas começavam ainda no final do inverno que possibilitavam o início do plantio de grãos já em setembro. Será que o São Pedro percebeu a mudança de vocação da agricultura da região, de grãos para sucroalcooleira, possibilitando maior janela para o corte da cana?
O gráfico mostra que após um outono/inverno muito seco, as estações chuvosas acumularam mais água que a média dos 10 anos.
Apresentando os registros de maneira mais tradicional – janeiro a dezembro – o gráfico abaixo retrata, de forma mais clara, o que aconteceu em 2017.
Neste gráfico, em 2017, observa-se que, apesar de a precipitação total do ano ficar bem próxima à da média de 10 anos, as estações outono-inverno foram muito secas (período 2). A época do plantio e da fase vegetativa de intenso crescimento apresentou um acúmulo importante (período 3), terminando com as precipitações dentro da média de 10 anos na fase reprodutiva dos grãos (período 1). Da mesma forma, a cana se beneficiou deste regime de chuvas em 2017 – umidade na fase de crescimento e seco na fase da conversão em sacarose. Com uma ressalva – com seca prolongada, os incêndios se multiplicaram, causaram danos irreparáveis nos canaviais e transtornos operacionais importantes que, com certeza, promoveram muitos prejuízos.
Início do ano se apresenta bastante chuvoso em 2018
A última edição da Tribuna de Ituverava publicou, a previsão da safra 2017/18 para a EDR de Orlândia que compreende 11 municípios. Segundo a matéria, Ituverava ocupa posição de destaque nesta EDR, tanto na área de ocupação como na produtividade
1. Cana – 47.500 ha (13,0%) com produtividade média de 90 ton/ha;
2. Soja – 9.000 ha (13,7%) com produtividade média de 62 sc/ha;
3. Milho – 300 ha (5,2%) com produtividade média de 100 sc/ha;
Apesar de a região ser predominantemente canavieira, a prática da dobradinha – soja/verão e milho/inverno – ainda é comum em Ituverava e soja, entrando como cultura de renda na reforma do canavial.
E não será necessário comentar que o início do ano se apresenta bastante chuvoso, às vezes, com pancadas mais intensas e outras vezes, com muita nebulosidade e, chuvas nem tanto. E os produtores sabem que esse clima não contribui com uma safra produtiva. Todo vegetal precisa, com certeza, de umidade no solo, mas requer também, luminosidade e temperatura para executar a fotossíntese, transformando a biomassa em energia.
E não é difícil perceber quão importante é a energia que o sol fornece: quem tem um aquecedor solar em sua casa deve tomar o seu banho com pouca água quente e muito mais água fria na mistura em dias ensolarados.
E os registros da estação do INMET mostram bem esta situação nos dois quadros abaixo:
Ambos os quadros mostram temperatura e umidade (instantânea, máxima e mínima), o índice de radiação e a chuva acumulada nos dias 31/12/17 e 01/01/18, no período de 7 – 20 horas.
No último dia do ano que passou, a chuva que começou na madrugada, continuou durante o dia apresentando temperaturas próximas a 20ºC, com alta umidade em torno de 90%, acumulando uma energia (radiação) de somente 7,0 MJ/m².
Já no dia seguinte, não foi registrada precipitação no período considerado. A temperatura aumentou em 5ºC, a umidade recuou 15% e a radiação somou 25 MJ/m² – um aumento de 450%.
Bem sabem os produtores que água nunca é demais. “É MELHOR FICAR PARADO COM CHUVAS QUE COM SECA” – diriam. Mas sabem também, que todos os tratos culturais de uma lavoura, TEM O SEU TEMPO CERTO. E, a planta agradece se receber com umidade no pé e sol na cabeça.
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