
Sandoval Morandini, Lucas Cavina Mussi Mortati, Jefferson Diego Oliveira Domingos e Ester Ferreira da Silva
O experiente advogado Antônio Roberto Sandoval Filho prepara seu escritório para o desafio de fazer um bom uso da inteligência artificial IA
O renomado advogado Antônio Roberto Sandoval Filho completou 70 anos no dia 5 de fevereiro. Longe de pensar em aposentadoria, ele revela, nesta entrevista exclusiva à Tribuna de Ituverava, ter muitos planos para o futuro.
Depois de lançar em 2024 um livro em que conta a sua trajetória profissional, ele parte agora para mais um desafio, que é preparar o seu escritório para a chegada dos 50 anos em 2029.
“Muitos de nossos clientes já receberam, felizmente, os valores que lhes eram devidos”, lembra o advogado. “Mas queremos ir até o fim, até o pagamento do último precatório, como está no título do meu livro”, afirma.
Ele quer agora preparar o escritório para o desafio de fazer um bom uso da inteligência artificial.
“A IA é uma realidade que está mudando o mundo, inclusive o mundo jurídico”, explica. “Temos que estar preparados para vencer nesse novo desafio”. Veja mais detalhes dessa conversa.
Tribuna: O senhor acaba de completar 70 anos. Já a Advocacia Sandoval Filho está completando 47 anos em 2026. Como o sr. se sente diante dessa dupla comemoração?
Resposta: Quando eu tinha lá meus 14 ou 15 anos em Ituverava, costumava olhar para o céu à noite e divagar com meus amigos sobre o futuro, sobre o universo e tantos outros temas. Haveria vida em outro planeta? O homem chegaria à lua? Como estaríamos no ano 2.000? Que profissão nós teríamos? As perguntas ficavam sem respostas, naturalmente. Mas era bom viver assim com essa inocência e esses sonhos.
Ituverava nos deu régua e compasso. E sonhos, muitos sonhos. Agora, já maduros, temos que agradecer, em primeiro lugar, ao que a vida nos proporcionou. É uma sensação reconfortante pode olhar para trás e ver tudo o que conseguimos construir juntos com a equipe da Advocacia Sandoval Filho.
Mas ainda temos um longo caminho pela frente para que seja finalmente resolvido o problema dos precatórios alimentares, que são dívidas do Estado para com os funcionários públicos, reconhecidas pela Justiça.
De tempos em tempos, os poderes públicos criam novas leis para reduzir os pagamentos aos credores, empurrando para frente o fim desse passivo. Temos clientes que estão na fila dos precatórios há mais de 40 anos. E isso no Estado de São Paulo – o mais rico da Federação. É inaceitável.
Tribuna: Alguma solução à vista?
Resposta: Nunca aceitamos passivamente essa realidade. Buscamos sempre soluções para fazer cumprir as decisões judiciais favoráveis aos nossos clientes. Um caminho alternativo envolve os acordos judiciais feitos diretamente com o Executivo.
Orientados por seus advogados, os credores podem aceitar um deságio sobre o valor total do seu crédito e receber antecipadamente o seu precatório.
São cinco escalas de deságios: 20%, 25%, 30%, 35% e 40%, a depender do ano do precatório. O deságio é de 20% para os precatórios até o ano de 2015 e de 40% para os precatórios de 2022 em diante.
É uma solução razoável especialmente para quem precisa desses recursos com urgência. Estamos também atuando junto ao Poder Executivo para que o teto das RPVs (Requisições de Pequeno Valor) seja elevado e volte ao valor, corrigido, vigente durante o governo de João Doria. Com isso, os pequenos credores serão beneficiados.
Tribuna: A que o senhor atribui o sucesso alcançado em sua carreira?
Resposta: Intuição, confiança e teimosia, além de muito estudo e trabalho. Depois que entrei na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, tive a certeza de que seria não um juiz ou um promotor. Sempre soube que seria advogado. Nunca tive dúvidas quanto a isso.
E muito cedo também descobri a causa que ocuparia toda a minha vida, a defesa jurídica dos funcionários públicos, especialmente daqueles que “carregam o piano”, como os professores e outros servidores de carreira.
Tribuna: O sucesso veio muito rápido?
Resposta: Imagina, de jeito nenhum. Demorou mais de uma década para que os primeiros resultados começassem a aparecer. E mesmo assim foi na base do conta-gotas. Na verdade, poucos acreditavam que eu teria êxito processando o poderoso governo paulista. Alguns me diziam que mesmo se eu ganhasse as causas na Justiça, meus clientes não receberiam nada porque o governo não iria pagar. Mas eu nunca desisti. Essa é a teimosia que eu citei.
De alguma maneira, buscando forças não sei de onde, eu insisti nesse caminho. Aos poucos, as vitórias na Justiça vieram e mais lentamente ainda os pagamentos aos clientes começaram a aparecer.
Tribuna: No campo profissional, o que lhe dá mais orgulho e satisfação?
Resposta: São dois momentos principais. O primeiro é a procuração. Quando o cliente nos outorga uma procuração ele está nos dando um voto de confiança. É preciso honrá-la, já que ela é muito difícil de ser obtida. Por isso, é sempre uma grande satisfação receber uma procuração de um cliente.
O outro momento é quando o depósito judicial chega finalmente à conta bancária do cliente. É o momento em que a confiança é retribuída com um resultado concreto, que muitas vezes muda a vida do cliente. Nem sempre isso é possível, infelizmente. Mas o nosso trabalho é sempre o mesmo: lutar sempre em favor do cliente, indo às últimas consequências no plano jurídico.
Tribuna: E agora, o que sr. pretende fazer? Aposentar-se?
Resposta: Felizmente, nosso Escritório conta com uma equipe profissional competente, combativa e valorosa, que compreendeu bem os princípios e os valores que animam a Advocacia Sandoval Filho. Mas eu ainda tenho muita lenha para queimar, para usar uma imagem popular.
Lançamos em 2024 o livro “Da Primeira Procuração até o Último Precatório”, que está disponível na Amazon. É um trabalho em que conto mais detalhes da minha carreira profissional. É uma obra simples, acessível a todos, em que procuramos deixar de lado o jargão técnico e jurídico.
Nosso maior desafio agora é preparar o Escritório para os desafios da Inteligência Artificial. A IA está mudando o mundo, inclusive no campo jurídico. Precisamos estar preparados desde já para fazer bom uso dessas ferramentas tecnológicas.
Queremos que o nosso Escritório possa chegar aos 50 anos, em 2029, totalmente imerso no mundo da inteligência artificial. Sigo, portanto, com muito ânimo. O trabalho é um excelente recurso contra os maus pensamentos.
Tribuna: Como Ituverava entra na sua vida, na sua história? É passado? Ou está presente ainda?
Resposta: Ituverava é meu jeito de ser na vida. Esteja onde estiver, sou sempre o mesmo. Mantenho os mesmos amigos, o mesmo telefone. Claro, a gente sempre faz novos amigos.
E isso é uma soma, não é subtração. Sempre que posso, visito a cidade, onde tenho casa. E todos os dias compartilho mensagens com os queridos amigos da quarta série ginasial do Instituto de Educação Antônio Justino Falleiros – amizades que duram mais de meio século.
Tribuna: Por fim, qual a sua receita de sucesso?
Resposta: “Viver é lutar”, como nos ensinou Gonçalves Dias, na “Canção do Tamoio”. Esta é a nossa sina. Sabemos como tudo termina. Mas até lá temos a vida para viver. Vamos então viver a vida em toda a sua plenitude e potencialidade. Com energia, confiança e muito amor. Saúde a todos!
O Renomado advogado
O advogado Dr. Antônio Roberto Sandoval Filho construiu uma carreira de sucesso desde que ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, há quase 50 anos. Também tem uma história pessoal brilhante.
Filho do agropecuarista Antônio Roberto Sandoval e da professora Placedina Faleiros Sandoval (ambos falecidos), ele é casado com Silvana Magno dos Santos Sandoval.
São suas filhas Ana Teresa Magno Sandoval, Ana Flávia Magno Sandoval e Ana Sílvia Magno Sandoval e netos Antônio Augusto Sandoval Biagi e Mharia Liz Rios Sandoval.
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