O slogan desta edição da campanha repete o do ano passado: “Se precisar, peça ajuda!”
O amarelo é a cor que dá o tom deste mês de setembro, em alerta para um tema delicado e importante, há 20 anos tratado em campanha nacional que alcança de norte a sul do Brasil.
Voltado à prevenção ao suicídio, o “Setembro Amarelo” é uma oportunidade para o olhar preventivo, de cuidado e atenção, como explica a psiquiatra Sandra Peu, que é representante da Associação Brasileira de Psiquiatria.
“Essa campanha visa ajudar a população a identificar fatores de risco e de proteção para o suicídio, identificar situações em que há risco iminente e orientar como buscar ajuda para que evite esse suicídio”, destaca a profissional.
A edição de 2025 do Setembro Amarelo repete o slogan da última edição da campanha: “Se precisar, peça ajuda!”, um chamado a todos que necessitam de cuidado e também atenção.
Vale ressaltar que a campanha é realizada durante todo o mês de setembro, mas o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é celebrado no dia 10 de setembro endossado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Dados sobre suicídio
O suicídio é um problema de saúde pública, com impactos na sociedade que deve ser observado como um todo.
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde – OMS, todos os anos, mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que HIV, malária ou câncer de mama – ou guerras e homicídios.
Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a quarta causa e morte depois de acidentes no trânsito, tuberculose e violência interpessoal.
Trata-se de um fenômeno complexo, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, sexos, culturas, classes sociais e também idade.
Segundo dados da Secretaria de Vigilância em Saúde divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro de 2022, entre 2016 e 2021 houve um aumento de 49,3% nas taxas de mortalidade de adolescentes de 15 a 19 anos, chegando a 6,6 por 100 mil, e de 45% entre adolescentes de 10 a 14 anos, chegando a 1,33 por 100 mil.
As taxas variam entre países, regiões e entre homens e também mulheres.
No Brasil, 12,6% por cada 100 mil homens em comparação com 5,4% por cada 100 mil mulheres, morrem devido ao ato do suicídio.
As taxas entre os homens são geralmente mais altas em países de alta renda (16,6% por 100 mil).
Para as mulheres, as taxas de suicídio mais altas são encontradas em países de baixa-média renda (7,1% por 100 mil).
Em países da Europa, houve um declínio nas taxas de suicídio e observou-se um aumento dessas taxas em países do Leste Asiático, América Central e América do Sul.
Embora alguns países tenham colocado a prevenção do suicídio no topo de suas agendas, muitos permanecem não comprometidos.
Atualmente, apenas 38 países são conhecidos por terem uma estratégia nacional de prevenção do suicídio.
Sinais
A psiquiatra da Associação Brasileira de Psiquiatria, Sandra Peu, detalha que, em geral, a pessoa em risco de tirar a própria vida quando apresenta alguma doença mental, que pode ter entre os sinais a mudança de comportamentos.
“As pessoas que mais frequentemente estão em risco de suicídio são as que tem transtornos do humor, depressão, transtorno afetivo bipolar”.
“Depois, esquizofrenia, transtornos de personalidade e outras circunstâncias”, explica.
“Vamos focar principalmente na situação de humor, mudança de comportamentos, mudança de autocuidado, desesperança, desespero, falta de perspectivas, sensação de culpa, queda do dinamismo, menos força para fazer as atividades do dia a dia, prejuízo de atenção e memória, alterações de sono e vigília”.
“Também é preciso focar nas alterações de apetite, perda do hedonismo, não tem mais capacidade de sentir prazer como sentia antes, obviamente tristeza ou então euforia, ou estados mistos, em que a tristeza e a euforia acabam se apresentando simultaneamente ou em ciclos muito rápidos”, observa a psiquiatra.
Apenas um médico, de preferência psiquiatra, tem condições de realmente avaliar o risco de suicídio.
“A pessoa que quer morrer pode falar que quer morrer, e pode expressar claramente que quer morrer”.
“Se a gente tem essa clareza, se não bastou uma observação dessas alterações de comportamento, de conteúdo de pensamento, ela diz claramente que quer morrer, não vacile, leve para o atendimento médico de urgência e emergência, para que ela seja avaliada por um médico”, alerta a profissional de saúde.
Centro de Valorização da Vida
Além das unidades de saúde, o CVV, Centro de Valorização da Vida, é um serviço voluntário, gratuito, de apoio emocional e também de prevenção ao suicídio para quem precisa conversar.
O atendimento é realizado de forma sigilosa 24 horas por dia em todo o país, pelo telefone 188.
Mas se o caso for de alto risco de morte, é necessário ligar imediatamente para o Samu, no telefone 192.
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