Dor no peito é relacionada ao colesterol alto?

O médico cardiologista
Dr. Bruno Maeda

As doenças cardiovasculares representam uma grande preocupação para os sistemas de saúde brasileiro e mundial.
Isso se deve à sua alta frequência, à ausência de prevenção, diagnóstico e tratamento precoce, e ao fato de serem a principal causa de morte por doença globalmente.
De acordo com o cardiologista, Dr. Bruno Maeda Fuzissima dentro desse grupo, as mais conhecidas são o acidente vascular encefálico isquêmico (AVEi), também chamado de AVC ou derrame, e o infarto miocárdico.

Causas
Ambos ocorrem, principalmente, devido à obstrução do fluxo sanguíneo nos vasos do pescoço que levam sangue ao cérebro e nas artérias que irrigam o coração, as coronárias.
“Essa obstrução é causada pelo acúmulo progressivo de gordura e inflamação dentro dos vasos, formando as placas de aterosclerose”.
“Esse acúmulo geralmente se desenvolve de forma lenta e gradual, ao longo de vários anos, e muito relacionada a fatores genéticos (herdados da família) e também comportamentais (como dieta inadequada, sedentarismo, tabagismo e alterações do metabolismo, a exemplo do diabetes, que se caracteriza por níveis elevados de açúcar no sangue)”, afirma.

Tipo de colesterol
O colesterol é a principal matéria-prima para a formação das placas de gordura nos vasos, sendo dividido em duas categorias: o colesterol bom, chamado HDL, e o colesterol ruim, chamado LDL.
“Grande parte do colesterol é produzida pelo fígado, e o restante é adquirido por meio da ingestão de gorduras de origem animal, encontrado, por exemplo, na gordura da picanha, banha de porco, queijos, entre outros alimentos”, explica o médico.
“Por outro lado, o colesterol é consumido pelo organismo através da atividade metabólica, como ao praticar atividade física, e também é utilizado para regular os hormônios do corpo e desempenhar outras funções”.
“O nível de colesterol ruim (LDL) considerado elevado varia para cada pessoa, dependendo se ela apresenta outros fatores de risco para doenças cardíacas, como pressão alta e tabagismo. A idade também é um fator considerado”.
“No entanto, independente destes valores de LDL acima de 130mg/dL e de colesterol total acima de 200mg/dL podem ser considerados elevados”.
“Para entender qual a sua meta de colesterol, é fundamental consultar um médico, que avaliará todos esses pontos”.

Sintomas
Ao longo dos anos, na ausência de prevenção e de tratamento, as placas de gordura se acumulam e podem começar a impedir o fluxo adequado de sangue, essencial para levar oxigênio e nutrientes aos órgãos.
Segundo Dr. Bruno Maeda, nas fases iniciais não há sintomas perceptíveis, entretanto, quando o quadro já está mais avançado, surgem os sintomas decorrentes da isquemia (falta de sangue).
“Quando essa condição afeta o coração, o principal sintoma é a dor no peito, geralmente associada a esforços e atividade física. Essa dor costuma localizar-se na região anterior do peito, frequentemente no lado esquerdo, mas pode também ser central ou no lado direito, e caracteristicamente se irradia para o pescoço, as costas ou os braços”, destaca.
“Em casos extremos, quando há obstrução grave das artérias coronárias, ocorre o chamado infarto miocárdico, que consiste na morte do músculo cardíaco devido à privação de sangue e oxigênio”, explica o médico.
“Portanto, é fundamental estar atento e procurar acompanhamento médico em casos de dor no peito sem causa aparente, ou seja, que não esteja relacionada, por exemplo, ao cansaço muscular e articular pós-exercício ou mesmo a alguma lesão”.

Acompanhamento periódico
O cardiologista alerta que o mais recomendado é que a aterosclerose das coronárias seja identificada e tratada antes do aparecimento dos sintomas da doença, justamente para evitar o infarto do coração.
“Daí a importância do acompanhamento periódico com um profissional de saúde para a realização de check-ups de rotina, principalmente após os 40 anos de idade ou, até mesmo antes, em pessoas com alto risco conhecido, como aquelas com um histórico familiar de doença cardíaca ou do metabolismo”, recomenda Dr. Bruno Maeda.
“O colesterol alto pode ser identificado por exames simples de sangue, já o acúmulo de placas de gordura pode ser detectado por meio de exames de imagem, por exemplo o ultrassom Doppler de carótidas, que avalia a formação de placas nos vasos do pescoço, e a tomografia de escore de cálcio coronariano e a angiotomografia de coronárias, utilizadas para avaliar placas nos vasos do coração”, observa.
“Outros exames empregados, de forma individualizada, na avaliação da aterosclerose são o teste de esteira e o cateterismo cardíaco esquerdo”, enfatiza o Dr. Bruno.

Tratamento
O tratamento do colesterol pode reduzir o tamanho das placas de gordura, mas seu objetivo principal é evitar a progressão e o surgimento de novas lesões.
“Os pilares fundamentais desse tratamento incluem o ajuste alimentar, a adoção de hábitos saudáveis, a prática regular de atividade física (seja ela aeróbica ou de força), o controle de outras condições de saúde, como a pressão alta, o diabetes e o abandono do uso de cigarro”, orienta o médico especialista.
“Além dessas medidas, muitas vezes é necessário o uso de medicamentos que reduzem a absorção alimentar do colesterol, ou que reduzem sua produção no fígado ou potencializam sua eliminação pelo intestino”.
“Já o tratamento da obstrução sanguínea é individualizado pelo médico, mas geralmente envolve a introdução de medicamentos para ‘afinar’ o sangue, facilitando a fluxo no local da obstrução, e, em alguns casos, pode-se realizar a desobstrução por meio de um procedimento específico”.
“Em resumo, a principal mensagem é a importância do acompanhamento médico de rotina, mesmo antes do aparecimento de sintomas preocupantes, como a dor no peito cardíaca”.

Prevenção
O foco, segundo Dr. Bruno Maeda, deve ser na prevenção e no diagnóstico precoce.
“Para isso, existem diversos métodos de investigação e tratamento com ótimos resultados, os quais devem ser individualizados para cada pessoa, em discussão com seu médico assistente”, afirma o médico.
“As doenças cardíacas são graves quando não tratadas ou ignoradas, mas possuem tratamento e podem ser controladas com o esforço conjunto do paciente e seu médico. Por exemplo, o simples hábito de andar 1 mil passos extras por dia pode ajudar a reduzir até 10% o risco de eventos cardíacos graves a longo prazo”, finaliza o cardiologista.

O médico

Formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), o cardiologista Dr. Bruno Maeda Fuzissima (RQE 119020 / CRM-SP 200.701) atende na Santa Casa de Ituverava.
Ele possui residência em cardiologia pelo Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) e é especialista em Tomografia e Ressonância Magnética Cardiovascular pelo InCor-HCFMUSP.

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